TECNOLOGIA

TECNOLOGIA : MUITO ALÉM DAS MÁQUINAS

Para compreendermos o mundo no qual estamos inseridos, faz-se necessário valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre os mundos físico, social, cultural e digital, buscando compreender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Nesse sentido, também é necessário compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2017).Nessa perspectiva, a sociedade tem vivenciado momentos marcantes na história da humanidade ao estar inserida em um mundo cada vez mais tecnológico, marcado por descobertas, transições e aperfeiçoamentos que buscam atender às necessidades humanas e contribuir para os avanços das gerações futuras. Esse processo contínuo de desenvolvimento pode ser compreendido como uma espécie de corrida tecnológica. Mas, afinal, o que é tecnologia?

Quando falamos em tecnologia, logo pensamos em máquinas, aparelhos eletrônicos ou recursos digitais avançados. Entretanto, definir tecnologia requer maior cuidado, pois não se trata de um conceito simples. Sua compreensão envolve diferentes contextos históricos, socioculturais, políticos e econômicos, e o termo pode assumir diferentes significados e finalidades. Nessa perspectiva, a tecnologia pode ser compreendida como uma produção humana resultante da articulação entre conhecimentos, técnicas, experiências e necessidades desenvolvidas historicamente para transformar a realidade e atender às demandas da sociedade. Essa compreensão exige analisar a tecnologia de maneira crítica, considerando seu papel nas transformações vivenciadas pela sociedade e evitando uma visão tecnocêntrica que atribua aos artefatos tecnológicos um caráter absoluto ou independente da ação humana (SILVA, 2013).

Assim, a tecnologia não pode ser compreendida apenas como um conjunto de objetos ou equipamentos produzidos em determinado período, mas como resultado de processos históricos que se modificam de acordo com as necessidades, conhecimentos e condições sociais construídas pela humanidade.Podemos afirmar, ainda, que o processo de transformação tecnológica não ocorre de forma isolada. Ele está relacionado às mudanças sociais, culturais, científicas e educacionais vivenciadas pelos diferentes povos. Desse modo, discutir as tecnologias na sociedade contemporânea significa também analisar suas relações com a cultura, a educação e a vida social (PRETTO; PINTO, 2006).

Podemos, então, compreender tecnologia como o conjunto de conhecimentos, técnicas, processos, instrumentos e formas de organização desenvolvidos historicamente pelo ser humano para solucionar problemas, atender necessidades e transformar a realidade. Por essa razão, a escola possui papel fundamental na formação de sujeitos capazes de compreender não apenas a produção e o funcionamento das tecnologias, mas também suas formas de utilização e as condições sociais, culturais, econômicas e históricas que influenciam sua produção e seu acesso. Dessa maneira, a educação pode contribuir para que os estudantes desenvolvam uma postura crítica diante das tecnologias e se reconheçam como sujeitos capazes de participar e transformar a sociedade.

Diante do exposto, podemos afirmar que tecnologia não é sinônimo de aparelho moderno. Da mesma forma, não podemos compreender a tecnologia como o centro de todas as soluções e, portanto, não devemos necessariamente concebê-la como uma “salvadora” da humanidade. Diante disso, ficam algumas questões para reflexão: o que a tecnologia pode fazer? Qual é o sentido do seu desenvolvimento? Quem produz e quem tem acesso às tecnologias? Toda tecnologia representa necessariamente um avanço? Essas perguntas nos convidam a olhar para a tecnologia não apenas como aquilo que é novo ou moderno, mas como uma produção humana inserida em determinado contexto histórico, social, cultural, político e econômico.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2017.

PRETTO, Nelson De Luca; PINTO, Cláudio da Costa. Tecnologias e novas educações. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11, n. 31, p. 19-30, jan./abr. 2006. DOI: 10.1590/S1413-24782006000100003.

SILVA, Gildemarks Costa e. Tecnologia, educação e tecnocentrismo: as contribuições de Álvaro Vieira Pinto. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 94, n. 238, p. 839-857, set./dez. 2013.

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